terça-feira, 24 de setembro de 2013

Prêmio Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura



VENCEDORES DO EDITAL ELISABETE ANDERLE PARTICIPAM DO EVENTO DE ASSINATURA DE CONTRATOS

Representantes de diversos segmentos da cultura de Santa Catarina estiveram presentes nesta segunda-feira, 23, no Cinema do Centro Integrado de Cultura (CIC) para participar da assinatura dos contratos dos 138 projetos vencedores do Edital Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura. Além do Secretário de Turismo, Cultura e Esporte (SOL), Beto Martins, que ocupa a presidência da Fundação Catarinense de Cultura (FCC), participaram da mesa de abertura Mary Benedet Garcia, presidente do Conselho Estadual de Cultura, Marco Vasques, da Comissão de Organização e Acompanhamento da FCC e Tânio Barreto, representante do secretário de Desenvolvimento Regional da Grande Florianópolis, Clonny Capistrano.

Beto Martins destacou o caráter de democratização dos recursos: "Serão distribuídos, já a partir dessa semana, em torno de R$ 6 milhões aos proponentes vencedores", disse, satisfeito. O recurso será pago em parcela única e o proponente tem até 12 meses para a realização do projeto. A presidente do Conselho, Mary Garcia, salientou em sua fala o fato de o edital ser um dos instrumentos de consolidação da democracia desejada pelo setor cultural no Estado.

No total, os membros do júri selecionaram 138 projetos, ou seja, optaram por não utilizar todas as premiações disponíveis. A decisão foi baseada nas diretrizes gerais norteadoras da avaliação para seleção dos projetos, que incluíam relevância cultural e artística da iniciativa proposta, orçamento compatível com os objetivos e adequação às condições do regulamento. No total, foram premiados sete segmentos da cultura: 31 projetos na Cultura, 20 na Letras, 24 no Teatro, 12 na Dança, 17 nas Artes Visuais, 10 nas Artes Populares, 23 do Patrimônio Cultural e uma passagem para intercâmbio.

Desde que foi lançado, em maio deste ano, o edital recebeu 965 inscrições para as sete grandes áreas abarcadas: Artes Populares (subdividido em Folclore e Artesanato e Artes Circenses), Artes Visuais (subdividido em Projetos e Obras e Bolsas de Execução), Dança (para circulação, montagem e pesquisa), Letras (subdividido em Publicações e Escritor na Escola/Mediadores de Leitura), Música (para circulação, produção e gravação de CDs e DVDs e pesquisa), Patrimônio Cultural (subdividido em Material, Imaterial, Museus e Acervos e Educação Patrimonial), Teatro (para circulação, montagem e pesquisa) e ainda Passagens para Intercâmbio.

Contemplados categoria Patrimônio Cultural


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quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Patrimônio Imaterial - Immaterielle Kulturerbe, Hunsrückisch



4. MUNICÍPIO DE ANTÔNIO CARLOS/SC E O HUNSRÜCKISCH


Antes da chegada dos alemães ao Alto Biguaçu, portugueses e negros já habitavam a região. Foi no ano de 1830 que alguns alemães desbravaram a planície do Rio do Louro e deram início a efetiva colonização das terras que viriam compor o município de Antônio Carlos. Os imigrantes eram originários do estado alemão da Renânia-Palatinado, especialmente do altiplano Hunsrück, e, a história conta que dez famílias iniciaram a colonização, primeiro em Louro e mais tarde em Rachadel e Santa Maria.

Conforme arquivos digitais do IBGE, pela lei municipal nº 121, de 15 de julho de 1919, a partir do município de Biguaçu era criado o quarto Distrito de Paz na localidade de Louro, cuja instalação ocorreu em 2 de agosto do mesmo ano. Em 1930, a sede do Distrito foi transferida para o local chamado Encruzilhada ou Coração de Jesus e recebeu a denominação de Antônio Carlos, em homenagem ao político mineiro Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, pelo Decreto nº 24, de 09 de dezembro deste ano.

No contexto administrativo, foi criado o distrito de Louro, pela lei municipal nº 121, de 15 de setembro de 1919, subordinado ao município de Biguaçu. No quadro de apuração de Recenseamento Geral de 1 de setembro de 1920, o distrito de Louro figura no município de Biguaçu. Já com pelo Decreto Estadual nº 24, de 09 de dezembro de 1930, o distrito de Louro passou a denominar-se Antônio Carlos. Em divisão administrativa referente ao ano de 1933, o Distrito de Antônio Carlos figura no município de Biguaçu. Assim permanecendo em divisão territorial datada de 1 de julho de 1960. O distrito foi elevado à categoria de município, mantendo-se a ultima denominação, pela Lei Estadual nº 928, de 06 de novembro de 1963. desmembrado de Biguaçu. Instalado em 21 dezembro de 1963. Em divisão territorial datada de 31 de dezembro 1963, o município é constituído distrito sede. Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2003.

O município de Antônio Carlos está à 32 quilômetros da Capital, faz parte da região da Grande Florianópolis, do estado de Santa Catarina. Está localizado no Brasil sob a Latitude 27º 31'1" e a longitude 48º 46' 4" W. Os municípios com que se estendem seus limites são: Angelina, Biguaçu, Major Gercino, São João Batista, São José e São Pedro de Alcântara.

A economia de Antônio Carlos se predominantemente pela agricultura familiar. Estima-se que pelo menos 80% das famílias antonio-carlenses vivam da produção e comercialização dos hortifrutigranjeiros, que representa ser o maior produtor de hortaliças de Santa Catarina com produção média anual de 150 mil toneladas. A agricultura é a força da economia do município. Aproximadamente 60% da produção vão para as Centrais de Abastecimento de Santa Catarina (Ceasa) de São José, onde pelo menos 14% dos produtos comercializados brotam das terras de Antônio Carlos. O município se destaca na produção de folhosas (verdinhos), cenoura, chuchu e batata-doce.

A língua cooficializada em Antônio Carlos/SC é originária do Hunsrückisch, falado na região montanhosa do Hunsrück, região da Alemanha demarcada pelos rios Reno, Mosela, Nahe e Saar, próxima à fronteira com o Luxemburgo e a França. A cidade mais conhecida da região é Trier, terra natal de Karl Marx. Literalmente, Hunsrück significa "costas do cachorro", em referência à cadeia montanhosa da área. É importante, porém, frisar que não existe apenas um dialeto nesta região que possa ser denominado assim. Há diversas variedades, embora com grande parte dos seus sistemas em comum. Desse modo, pode-se falar, por exemplo, de variedades como o Moselfränkisch e o Rheinfränkisch; este último, por sua vez, engloba variedades de Hessisch e Pfälzisch. Diversos estudos descrevem as diferentes variedades da região do Hunsrück, que as distinguem, entre outros traços, pelo artigo. O artigo “dat” é característico do Moselfränkisch e o “das”, típico do Rheinfränkisch. No DVBH há somente o artigo “das”; no corpus não ocorreu “dat” (SCHAUMLOEFFEL, 2003).

Sobre as origens do nome Hunsrück, há diversas opiniões. Alguns autores dizem, como explica Krug (2000), que a origem se deve à região montanhosa que se assemelha às costas de um cachorro. Portanto, “Huns = cachorro” e “Rück” deriva da palavra “Rücken = costas”. Outros autores ainda preferem dizer que a palavra em questão remete aos povos hunos, em alemão Hunnen. Os hunos viviam nessa região e a chamavam de Hunsrück, ou seja, recanto dos hunos. Além disso, eles remetem a outras interpretações como: “Hoher Rücken = costas altas” e “Hünenrücken = costas de galinha” (ALTENHOFEN, 1996 e HORST, 2001). Como pode ser observado, a controvérsia etimológica é vasta.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Patrimônio Imaterial - Immaterielle Kulturerbe, Hunsrückisch



3. INTRODUÇÃO


Conforme Raulino Reitz (1992), o primeiro núcleo de colonização alemã em Santa Catarina desenvolveu-se a partir do minúsculo arraial de Santa Bárbara, que, constituía-se, no início da colonização alemã da colônia São Pedro de Alcântara, no primeiro núcleo de colonos alemães deste Estado, no ano de 1829. De fato, a maioria absoluta dos imigrantes, de língua alemã, instalados em Santa Catarina era originária da Confederação dos Estados Alemães (2) e, uma significativa parte dos imigrantes era originária da região do Hunsrück, localizada no Estado da Renânia-Palatinado, conforme ilustrado na figura 1 (JOCHEM, 2011).

Figura 1: Montagem de mapa representativo indicando o local de origem e destino de colonizadores alemães em solo antonio-carlense.
O Hunsrück é uma região geográfica com predominância de montanhas baixas, localizada no Estado da Renânia-Palatinado, no sudoeste da Alemanha. A região, situada junto às fronteiras com a França e Luxemburgo, fica bem próxima à cidade de Frankfurt e é delimitada pelos vales dos rios Mosela, Nahe, Reno e Saar. Como é uma região cercada por rios podemos concluir que suas margens oferecem terras mais férteis e, dessa forma, seriam mais densamente povoadas. Além disso, Hunsrück é uma bucólica região agrícola e turística e, contemporaneamente, algumas das cidades mais conhecidas da região serrana do Hunsrück são: Simmern, Kirchberg, Idar-Oberstein, Kastellaun e Morbach.

O primeiro povoado do município de Antônio Carlos deu-se em 6 de maio de 1830, no Alto Vale do Louro, que marca o início da história do município. Segue-se o acampamento de João Henrique Soechting, às margens do rio Louro e a fixação de outras 10 famílias e de 5 solteiros. São estes os poucos, mas muito importantes para o povoamento do município.


Assim, como atributo cultural decorrente do povo, podemos citar a língua utilizada pelos imigrantes: o Hunsrückisch. O Hunsrückisch, hunsrück, platt ou hunsbucklich é uma língua alemã, podendo ser classificada como Moselle Franconian, falada na região do Hunsrück, na Renânia Central. Com a imigração a língua chegou ao Brasil e, mais especificamente, à Santa Catarina, onde sobrevive até hoje. Podemos considerar ainda que os remanescentes dos falantes do Hunsrückisch na Alemanha são bilíngues: pratica-se a língua ancestral nos lares e ao ar livre, mas se lê e estuda em Hochdeutsch, a língua padrão com gramática formalmente organizada, que veio a se tornar oficial em toda a Alemanha.

O Brasil costuma ser considerado, aos olhos estrangeiros e sobretudo pelos próprios brasileiros, como um país dotado de invejável homogeneidade linguística, situação que contribuiria para consolidar a unidade política da nação. O artigo 13 da Constituição Federal de 1988 explicita, pela primeira vez em texto constitucional, que “a língua portuguesa é o idioma oficial da República Federativa do Brasil”. Essa imagem, no entanto, não expressa a realidade do que ocorre em inúmeras regiões do país, onde vários grupos de brasileiros falam também outras línguas que expressam visões de mundo, valores e significados fundamentais para a história e a identidade desses grupos e da própria nação.

A língua falada e escrita é assim definida: §2. O “patrimônio cultural imaterial” tal como é definido no parágrafo I supra, manifesta-se nomeadamente nos seguintes domínios: tradições e expressões orais, incluindo o idioma como o veículo do patrimônio cultural imaterial (UNESCO, 2003). Quanto essência e existência todos os povos procuram manter e reforçar a sua identidade frente a sua história.


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(2) À época, ainda não existia a Alemanha enquanto um Estado moderno. Portanto, alguém que viesse de Luxemburgo, Áustria, Suíça ou de outros países nas imediações, os quais faziam uso do idioma alemão, era computado, nessa estatística, como alemão. Destarte, alemães eram todos aqueles que faziam uso do idioma alemão ou que integrasse a Confederação dos Estados Alemães da Liga Setentrional Alemã (1866-1871), dos Estados Meridionais Alemães (1866-1871), do Império Austro-Húngaro (1867-1918), do Império Alemão (1871-1918). Jochem, T. 2011.

Prêmio Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura

VENCEDORES DO EDITAL ELISABETE ANDERLE PARTICIPAM DO EVENTO DE ASSINATURA DE CONTRATOS Representantes de diversos segmentos da cultura...