3. INTRODUÇÃO
Conforme Raulino Reitz (1992), o primeiro núcleo de colonização alemã em Santa Catarina desenvolveu-se a partir do minúsculo arraial de Santa Bárbara, que, constituía-se, no início da colonização alemã da colônia São Pedro de Alcântara, no primeiro núcleo de colonos alemães deste Estado, no ano de 1829. De fato, a maioria absoluta dos imigrantes, de língua alemã, instalados em Santa Catarina era originária da Confederação dos Estados Alemães (2) e, uma significativa parte dos imigrantes era originária da região do Hunsrück, localizada no Estado da Renânia-Palatinado, conforme ilustrado na figura 1 (JOCHEM, 2011).
Figura 1: Montagem de mapa
representativo indicando o local de origem e destino de colonizadores
alemães em solo antonio-carlense.
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O primeiro povoado do município de Antônio Carlos deu-se em 6 de maio de 1830, no Alto Vale do Louro, que marca o início da história do município. Segue-se o acampamento de João Henrique Soechting, às margens do rio Louro e a fixação de outras 10 famílias e de 5 solteiros. São estes os poucos, mas muito importantes para o povoamento do município.
Assim, como atributo cultural decorrente do povo, podemos citar a língua utilizada pelos imigrantes: o Hunsrückisch. O Hunsrückisch, hunsrück, platt ou hunsbucklich é uma língua alemã, podendo ser classificada como Moselle Franconian, falada na região do Hunsrück, na Renânia Central. Com a imigração a língua chegou ao Brasil e, mais especificamente, à Santa Catarina, onde sobrevive até hoje. Podemos considerar ainda que os remanescentes dos falantes do Hunsrückisch na Alemanha são bilíngues: pratica-se a língua ancestral nos lares e ao ar livre, mas se lê e estuda em Hochdeutsch, a língua padrão com gramática formalmente organizada, que veio a se tornar oficial em toda a Alemanha.
O Brasil costuma ser considerado, aos olhos estrangeiros e sobretudo pelos próprios brasileiros, como um país dotado de invejável homogeneidade linguística, situação que contribuiria para consolidar a unidade política da nação. O artigo 13 da Constituição Federal de 1988 explicita, pela primeira vez em texto constitucional, que “a língua portuguesa é o idioma oficial da República Federativa do Brasil”. Essa imagem, no entanto, não expressa a realidade do que ocorre em inúmeras regiões do país, onde vários grupos de brasileiros falam também outras línguas que expressam visões de mundo, valores e significados fundamentais para a história e a identidade desses grupos e da própria nação.
A língua falada e escrita é assim definida: §2. O “patrimônio cultural imaterial” tal como é definido no parágrafo I supra, manifesta-se nomeadamente nos seguintes domínios: tradições e expressões orais, incluindo o idioma como o veículo do patrimônio cultural imaterial (UNESCO, 2003). Quanto essência e existência todos os povos procuram manter e reforçar a sua identidade frente a sua história.
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(2) À época, ainda não existia a Alemanha enquanto um Estado moderno. Portanto, alguém que viesse de Luxemburgo, Áustria, Suíça ou de outros países nas imediações, os quais faziam uso do idioma alemão, era computado, nessa estatística, como alemão. Destarte, alemães eram todos aqueles que faziam uso do idioma alemão ou que integrasse a Confederação dos Estados Alemães da Liga Setentrional Alemã (1866-1871), dos Estados Meridionais Alemães (1866-1871), do Império Austro-Húngaro (1867-1918), do Império Alemão (1871-1918). Jochem, T. 2011.
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