4. MUNICÍPIO DE ANTÔNIO CARLOS/SC E O HUNSRÜCKISCH
Antes da chegada dos alemães ao Alto Biguaçu, portugueses e negros já habitavam a região. Foi no ano de 1830 que alguns alemães desbravaram a planície do Rio do Louro e deram início a efetiva colonização das terras que viriam compor o município de Antônio Carlos. Os imigrantes eram originários do estado alemão da Renânia-Palatinado, especialmente do altiplano Hunsrück, e, a história conta que dez famílias iniciaram a colonização, primeiro em Louro e mais tarde em Rachadel e Santa Maria.
No contexto administrativo, foi criado o distrito de Louro, pela lei municipal nº 121, de 15 de setembro de 1919, subordinado ao município de Biguaçu. No quadro de apuração de Recenseamento Geral de 1 de setembro de 1920, o distrito de Louro figura no município de Biguaçu. Já com pelo Decreto Estadual nº 24, de 09 de dezembro de 1930, o distrito de Louro passou a denominar-se Antônio Carlos. Em divisão administrativa referente ao ano de 1933, o Distrito de Antônio Carlos figura no município de Biguaçu. Assim permanecendo em divisão territorial datada de 1 de julho de 1960. O distrito foi elevado à categoria de município, mantendo-se a ultima denominação, pela Lei Estadual nº 928, de 06 de novembro de 1963. desmembrado de Biguaçu. Instalado em 21 dezembro de 1963. Em divisão territorial datada de 31 de dezembro 1963, o município é constituído distrito sede. Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2003.
O município de Antônio Carlos está à 32 quilômetros da Capital, faz parte da região da Grande Florianópolis, do estado de Santa Catarina. Está localizado no Brasil sob a Latitude 27º 31'1" e a longitude 48º 46' 4" W. Os municípios com que se estendem seus limites são: Angelina, Biguaçu, Major Gercino, São João Batista, São José e São Pedro de Alcântara.
A economia de Antônio Carlos se predominantemente pela agricultura familiar. Estima-se que pelo menos 80% das famílias antonio-carlenses vivam da produção e comercialização dos hortifrutigranjeiros, que representa ser o maior produtor de hortaliças de Santa Catarina com produção média anual de 150 mil toneladas. A agricultura é a força da economia do município. Aproximadamente 60% da produção vão para as Centrais de Abastecimento de Santa Catarina (Ceasa) de São José, onde pelo menos 14% dos produtos comercializados brotam das terras de Antônio Carlos. O município se destaca na produção de folhosas (verdinhos), cenoura, chuchu e batata-doce.
A língua cooficializada em Antônio Carlos/SC é originária do Hunsrückisch, falado na região montanhosa do Hunsrück, região da Alemanha demarcada pelos rios Reno, Mosela, Nahe e Saar, próxima à fronteira com o Luxemburgo e a França. A cidade mais conhecida da região é Trier, terra natal de Karl Marx. Literalmente, Hunsrück significa "costas do cachorro", em referência à cadeia montanhosa da área. É importante, porém, frisar que não existe apenas um dialeto nesta região que possa ser denominado assim. Há diversas variedades, embora com grande parte dos seus sistemas em comum. Desse modo, pode-se falar, por exemplo, de variedades como o Moselfränkisch e o Rheinfränkisch; este último, por sua vez, engloba variedades de Hessisch e Pfälzisch. Diversos estudos descrevem as diferentes variedades da região do Hunsrück, que as distinguem, entre outros traços, pelo artigo. O artigo “dat” é característico do Moselfränkisch e o “das”, típico do Rheinfränkisch. No DVBH há somente o artigo “das”; no corpus não ocorreu “dat” (SCHAUMLOEFFEL, 2003).
Sobre as origens do nome Hunsrück, há diversas opiniões. Alguns autores dizem, como explica Krug (2000), que a origem se deve à região montanhosa que se assemelha às costas de um cachorro. Portanto, “Huns = cachorro” e “Rück” deriva da palavra “Rücken = costas”. Outros autores ainda preferem dizer que a palavra em questão remete aos povos hunos, em alemão Hunnen. Os hunos viviam nessa região e a chamavam de Hunsrück, ou seja, recanto dos hunos. Além disso, eles remetem a outras interpretações como: “Hoher Rücken = costas altas” e “Hünenrücken = costas de galinha” (ALTENHOFEN, 1996 e HORST, 2001). Como pode ser observado, a controvérsia etimológica é vasta.
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